Vencedor da última edição do Prémio Goncourt, Huris, de Kamel Daoud, restitui às mulheres, aos esquecidos, às vítimas e aos sobreviventes da guerra civil argelina – e de todas as guerras – a voz que lhes foi roubada. Este romance corajoso e comovente, proibido na Argélia, país onde o autor nasceu, chega às prateleiras das livrarias portuguesas no dia 11 de setembro, com chancela da Bertrand Editora.
Numa narrativa poderosa, dividida em três partes, Daoud apresenta-nos a história de Alva, uma jovem argelina com a tragédia marcada no seu corpo: uma cicatriz no pescoço e as cordas vocais destruídas, consequência da guerra civil dos anos 1990. Muda, sonha em recuperar a voz, pois a sua história só a pode contar numa voz imaginada à filha que traz no ventre. Num país que proíbe e pune aqueles que evoquem o conflito, Alva decide voltar à sua aldeia natal, onde para si tudo começou, com a esperança de que os mortos possam dar-lhe as respostas que os vivos lhe negam.
Perseguido politicamente ao dia de hoje devido aos seus livros, ao seu pensamento e à sua opinião, Kamel Daoud instalou-se em Paris, exilado «pela força das circunstâncias». Enquanto jornalista colabora com muitos dos principais jornais europeus e manteve, por vários anos, a crónica mais lida na Argélia. Aliás, durante a «década negra» da Argélia – período que serve de pano de fundo a Huris – já trabalhava como repórter, cobrindo alguns dos massacres de uma guerra civil que provocou a morte de 200 000 pessoas e milhares de desaparecidos, mas sobre a qual é proibido por lei debater no seu país.