Num artigo publicado por Hal Drake e citado por Edward J. Watts nesta obra, o historiador refere que podemos «pegar em qualquer problema atual que nos incomode, acrescentar a palavra Roma» e depois afirmar que, «se quisermos evitar o destino de Roma, é melhor agirmos».
De facto, Roma decaiu e recuperou tantas vezes que a sua queda e ascensão não só têm sido constante fonte de discussão para romanos e não-romanos há mais de dois mil, duzentos e vinte anos, como a história da sua acidentada cronologia parece inclusivamente oferecer lições às pessoas que enfrentam desafios similares em Estados menos bem-sucedidos.
Fosse a retórica de Roma inerte, e este livro nem teria sido escrito. Mas as profecias de declínio e as receitas de restauração conseguem causar profundas e permanentes mudanças numa sociedade e na sua vida política, subvertendo costumes, dividindo as sociedades e deixando um rasto de vítimas à sua passagem, como esta obra tão bem demonstra.
Em O Eterno Declínio e Queda de Roma, Edward J. Watts revela, numa prosa viva e cativante, como a narrativa aparentemente inócua de declínio e ascensão do Império Romano se revelaria, ao longo dos séculos, destrutiva e, sublinhando como o mesmo discurso é ainda hoje utilizado ao serviço do discurso político, reforça a importância de uma outra aprendizagem a partir da história de Roma: o impacto e potencial de reparação que uma narrativa focada na restauração construtiva pode ter.