Beira Interior, década de 1940. Decorre a Segunda Guerra Mundial e a procura por volfrâmio, um mineral utilizado na produção de aço e outras ligas metálicas, dispara, na sequência da necessidade de produção de equipamento militar.
Portugal, um dos principais fornecedores do minério-chave para os contendores, torna-se um importante produtor de um bem extraordinariamente escasso à escala mundial. Mas será esta inesperada transformação na economia nacional uma oportunidade ou uma ameaça?
Num cenário rural e de pobreza generalizada, onde «a autoridade do padre é indisputada em matéria de sacramentos» e «o destino é geralmente amargo, as expectativas baixas e a sorte precária», a febre do «volfro», ou «feixe de ilusões», como tão bem ilustra Augusto Santos Silva no prefácio desta edição, vai alterar o equilíbrio das rotinas, sonhos e perspetivas de uma comunidade, ameaçando, corrompendo e desassossegando tudo à sua passagem.
Publicado pela primeira vez em 1943, Volfrâmio, uma das obras mais notáveis e testemunhais de Aquilino Ribeiro, regressa aos escaparates nacionais numa belíssima nova edição com prefácio de Augusto Santos Silva e introdução de José Manuel Lello.