Aos 19 anos, quando era estudante da Universidade do Maine e durante o apogeu da Guerra do Vietname, Stephen King escreveu o seu primeiro livro. Mas só viria a publicá-lo anos mais tarde, em 1979, sob o pseudónimo Richard Bachman. A Longa Caminhada, um clássico distópico que se tornou um livro de culto no catálogo de King, chega pela primeira vez a Portugal a 2 de julho.
A premissa deste romance é simples, mas aterradora: «Caminhar ou morrer». Cem adolescentes entram numa competição diabolicamente cruel em que têm de caminhar, sem parar, dia e noite, a um ritmo mínimo de seis quilómetros e meio por hora. Os participantes que abrandarem o ritmo recebem avisos. Três avisos e ficam fora do jogo. Para sempre. São alvejados por soldados numa América de pesadelo, militarizada e transformada num estado policial implacável. No final, apenas um sairá vencedor: aquele que sobreviver.
A Longa Caminhada é um thriller verdadeiramente inquietante que explora a natureza humana das suas personagens como só King sabe fazer, revelando o instinto de sobrevivência do ser humano sob condições insuportáveis. Num livro que escreveu quando decorria a guerra do Vietname (um dos maiores traumas da história americana), o autor faz críticas ao autoritarismo, ao conformismo, à guerra, à exploração dos jovens e à banalização do mal pela sociedade, com o público a surgir como cúmplice de acontecimentos terríveis.
Esta é uma obra-prima intemporal que deixa claro o génio do autor na construção de personagens inesquecíveis e a sua capacidade visionária para contar histórias – e para contar a América. Precursor de narrativas contemporâneas como Os Jogos da Fome ou Squid Game, A Longa Caminhada foi adaptado com grande sucesso para o cinema com o título O Desafio. Realizado por Francis Lawrence, este filme estreou em 2025 e abriu a última edição do MOTELX – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa.