Inspirado por um episódio real vivido durante umas férias em Veneza, em 1911, Thomas Mann escreveu aquela que viria a tornar-se uma das obras mais célebres do século XX. Publicado pela primeira vez em 1912, Morte em Veneza é um clássico incontornável, cuja influência perdura até aos dias de hoje. Em 1971, Luchino Visconti adaptou este título ao cinema, num filme protagonizado por Dirk Bogarde.
Morte em Veneza, uma das obras de maior sucesso de Thomas Mann, escritor alemão agraciado com o Prémio Nobel de Literatura em 1929, chega a 25 de junho ao catálogo da Bertrand Editora. Esta edição conta com uma tradução de Sara Seruya, que revisitou acurada e propositadamente o texto para esta publicação.
Nesta edição de Morte em Veneza, à semelhança de Um Quarto Só para Si e Orgulho e Preconceito, a capa reproduz uma obra de arte. Para este livro foi escolhida a obra Venice, The Mouth of the Grand Canal, de Joseph Mallord William Turner, um original em aguarela sobre papel (1832), atualmente exposto no Yale Center for British Art da Universidade de Yale.
Num romance que, nas palavras de Mann, trata da «paixão como desequilíbrio e degradação», o escritor Gustav von Aschenbach viaja para Veneza à procura de uma trégua da angústia criativa que o aflige. É no átrio do seu hotel no Lido que observa pela primeira vez Tadzio, um rapaz excecionalmente belo que ali está hospedado com a família. À medida que os dias de Aschenbach começam a girar sobre um centro agora ocupado pelo rapaz, o espanto dará lugar à obsessão, num conflito silencioso entre ânsia e desejo, beleza e morte – e a busca por plenitude espiritual que o levou a Veneza transformar-se-á, afinal, na sua ruína. Irremediavelmente fascinado, o escritor ver-se-á preso a esta cidade hipnótica, num momento em que a mesma sucumbe a uma epidemia de cólera que ele, cego pela sua fixação, não verá chegar.
Morte em Veneza é uma obra que, escrita por Mann sob influência de Platão, aborda o fascínio fatal da beleza e explora objetivamente temas tabu à época, como a homossexualidade reprimida. A epidemia «escondida» de cólera em Veneza funciona como uma metáfora para a decadência moral do protagonista, Gustav von Aschenbach, e da sociedade europeia.