2021-07-13

Francisco Louçã reflete sobre o tempo presente e a sobrevivência da democracia

«Só lhes faremos frente se a democracia, agora, se chamar segurança contra o medo.» Quem o diz é Francisco Louçã no livro O Futuro Já Não é o Que Nunca Foi, que chega às livrarias a 15 de julho. Trata-se de um ensaio cultural, político e social sobre a instauração de uma sociedade do medo no presente, na qual a polarização, as redes sociais, a vigilância e a plataformização do trabalho abrem caminho a novos totalitarismos. Um apelo a resgatar o futuro, em nome da democracia e da pluralidade.

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«Todo o futuro é fabuloso», escreve Alejo Carpentier. Será? E será uma fábula feliz ou uma efabulação quimérica? A resposta está no presente, aquele que hoje vivemos, que é o de uma sociedade de medo. Eis o que desaprendemos com a pandemia: o medo dos outros ou de nós próprios fechou-nos numa vida em zapping, mergulhou-nos em identidades ilusórias no Facebook, avassalou-nos com imagens dominadas pelo tribalismo – seja de religiões fanatizadoras, seja de supremacismo agressivo. O nosso mundo está a mudar e ressurgem fantasmas do passado: a necropolítica, que usa a destruição como normalização, e a bufonaria, que eleva títeres ao poder fazendo com que, como adivinhava Foucault, «o grotesco seja um dos procedimentos essenciais da soberania arbitrária».

O Futuro Já Não É o Que Nunca Foi discute esta modernidade destroçada. Mostra como a intoxicação nas redes sociais constitui uma tecnologia da razão sonâmbula, com um regime de avalancha que esgota a informação e que se constitui como arma do capitalismo tardio. Tornámo-nos cobaias do maior espaço social que existe, sem regras que não sejam as da privatização por um mercado totalitário, e é nele que nasce a agressividade da extrema-direita trumpista ou da multidão dos seus seguidores. A resposta, urgente, é a luta pela democracia como força emancipatória e como responsabilidade social. Este livro propõe-lhe que nem espere nem desespere: é no presente que definimos a nossa vida.

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