Durante séculos, a Odisseia de Homero foi lida como a epopeia de Ulisses, um dos maiores heróis da mitologia ocidental. E se também lêssemos os feitos heroicos das mulheres? Esta é a proposta da historiadora e classicista Emily Hauser, que lança o segundo volume desta investigação. Em Míticas – As Mulheres da Odisseia, o protagonismo é devolvido às figuras que moldaram um dos maiores escritos da Grécia Antiga, permitindo uma nova visão sobre o papel das mulheres na antiguidade clássica.
Com base nos textos originais, em novas descobertas arqueológicas e nos mais recentes estudos de ADN, Hauser revela quem foram as mulheres da Odisseia, como Atena, Calipso, Nausícaa, Circe ou Penélope, entre outras figuras fundamentais da narrativa homérica. Estas não foram meras musas ou personagens secundárias, mas agentes históricos e simbólicos cuja tradição literária relegou para a margem das narrativas.
Combinando investigação académica e a escrita acessível de uma romancista, Míticas reconstitui o Egeu da Idade do Bronze e apresenta uma interpretação inovadora dos épicos homéricos. Mais do que um exercício literário, a autora desafia a forma como a História foi contada e questiona por que razão tantas vozes femininas permaneceram mitificadas. Míticas – As Mulheres da Odisseia é simultaneamente uma viagem fascinante pelo imaginário clássico, pelo nosso conhecimento do mundo antigo e uma reflexão contemporânea sobre a forma como escolhemos recordar o passado.